Quando nascemos até numa certa idade estamos desenvolvendo a nossa personalidade.

Ao longo deste caminho, de acordo com as situações que vamos vivendo, temos ações e reações, mudamos de opinião, mudamos de humor, mudamos de atitudes.

Com o passar do tempo, você percebe que passa a ter uma mesma reação diante de uma situação, ou seja, cria um padrão, o fato se repete. Então falamos: “Sou assim”, pronto criou a personagem! Mas não nos damos conta disso não.

O que eu quero dizer é que de acordo com as situações que vivemos, nós vamos criando partes, personas, personalidades, sombras, amebas, formas pensamentos ou até outros tantos nomes que foram dados de acordo com a linha de estudos ou filosofia. E estas partes tornam-se mais fortes e até nos comandam conforme nós as alimentamos, ou damos força!

De que forma fazemos isso? Sempre que afirmamos, sou assim, sou assado, sempre faço, sempre deixo de fazer etc. Vamos nos deixando agir no automático.

Quando acreditamos em algo, também criamos uma parte que vai interagir, falar na sua cabeça, quando algo acontecer que for contrariar a sua crença. Exemplo: se deixar o chinelo virado, você vai ouvir a voz na sua cabeça, “desvira o chinelo, sua mãe vai morrer!” Mesmo que sua mãe tenha já morrido, mas você continua com a crença, vai sentir o medo da perda, e a voz na sua cabeça fica cada vez mais forte.

Temos muitas partes em nós, mas não temos a mínima noção, do que é parte e do que é nossa essência mesmo! E qual importância saber disso? Muitas destas partes simplesmente nos comandam e nos impedem de fazer aquilo que nossa alma quer, que é a nossa essência, estas partes são comandadas por nosso ego, e elas não respeitam nosso sentir, nosso querer, simplesmente vão agindo!

Estas partes foram criadas por nós em algum momento de nossas vidas, pois naquela hora ela teve uma razão, uma função, uma intensão positiva, de nos ajudar, emocionalmente para passar por uma situação, mas quando alimentamos e damos força elas vão para o comando e nos fazem agir de forma que não tem razão de ser. Exemplo: a parte medrosa, quando criança você sentiu medo quando viu uma cena de uma assalto violento na tv, e mesmo que a cena não tenha ocorrido com você, esta parte fala na sua cabeça assim: “não saia na rua, é perigoso, não confie nas pessoas, elas são más”, e você cresce com esta sensação de medo, torna-se uma pessoa medrosa mesmo, covarde e não entende o motivo. Não sai de casa, tem poucos amigos, não gosta de ir a escola, tem dificuldades em relacionamentos, na parte profissional então nem se fala.

Esta parte medrosa, ela tem a intensão positiva de te proteger, mas o meio o caminho que ela usa para isso é que não é inteligente e te atrapalha. Através do medo você acaba sendo paralisado, não realizando tarefas simples ou até mais elaboradas, e fica infeliz, sem entender o motivo.

Ou um outro exemplo mais simples, quando criança sua mãe lhe fala: “não saia na rua sozinho!”, e a partir daquele momento você se torna dependente de ir a rua sempre acompanhado, mesmo não sendo mais criança e sabendo que já pode ir à rua sozinho e que pode se cuidar, mas esta parte sempre vai te falar não faça! E você fica no conflito interno, na sensação do medo e na dependência de outras pessoas para se sentir seguro.

Estas partes geralmente são criadas em duplas, afinal na criação Divina, tudo tem seus dois lados. Se existe a parte medrosa em contrapartida existe a parte “corajosa”, que fica brigando com a medrosa o tempo todo e vira um conflito interno.

Temos muitas partes que podemos ter trazido de uma, duas ou várias vidas passadas. São estruturas mentais que ficam orbitando ao nosso redor, são como se fossem espíritos, que se condensam, criam força, e nos comandam.

Como percebê-las? Se faça um elogio e logo você ouvirá uma resposta, uma voz te rebatendo o que você disse a si mesmo. Esta voz é a sua parte, sua ameba, sua personalidade.

Sabe quando você fala sozinho? Pois é está batendo papo com as suas partes. Ou quando tenta dormir e fica pensando muito e falando com você mesmo e não dorme, quando vai comprar algo, ouve a voz, “compra desta cor, deste tamanho, deste sabor, tá caro, não compra!”

Estas estruturas vão sendo criadas, desde a infância, pelos pais, irmãos, avós, parentes em geral e pessoas que tiveram influência em nossas vidas, como amigos, professores etc.

Como disse anteriormente estas estruturas têm uma intensão positiva em nos ajudar, porém como criamos centenas delas e cada uma quer agir e fazer do seu jeito, da sua forma, vão criando em nós conflitos e não sabemos de onde vem isso. Estas estruturas não respeitam o nosso sentir, o nosso querer, nossa alma, nossa essência, e se não percebemos que estamos sob seus comandos, deixamos de lado nossa essência e vivemos apenas sob o comando do ego, que é o comandante de todas estas estruturas.

No trabalho terapêutico o objetivo é trabalhar estas partes, pelo menos as que são inconvenientes e nos atrapalham em nosso dia a dia, e criando outras partes mais positivas e que realmente possam nos auxiliar. Tomar consciência da existência destas estruturas, quais estão nos afetando mais, deixar de alimentar ou dar força, e como fazemos isso? Deixando de acreditar no que elas te falam, sentir o que você realmente quer? Fazer o que vem da alma!

Ânimus é o que vem da alma, é o que te anima, é o que te dá força, é o que te alegra, é o que você faz com vontade, com prazer! Quando deixamos de fazer o que as partes querem e passamos a fazer e agir da forma que realmente queremos, vamos tirando a força delas e vão desaparecendo.

Pergunte-se o que eu quero fazer agora? O que é importante para mim neste momento? O que eu gosto? Perceba a reposta sentindo e não ouvindo… Desta forma estas estruturas vão se dissolvendo e desaparecendo formando estruturas que fazem você dar mais atenção, e se ligar em você! Ou existem técnicas terapêuticas que identificam e trabalham estas partes em nós de forma bem rápida e eficaz, mas para isso é necessário fazer todo um tratamento, com várias sessões.

Para cada crença que temos é uma estrutura, ou forma pensamento que criamos, damos força e alimentamos com nossos próprios pensamentos e sentimentos. Como disse antes trazemos também estruturas de vidas passadas, pois como são formas mentais continuam ligadas em nosso corpo mental e conforme vamos crescendo e nos desenvolvendo aqui nesta vida, se alimentarmos os mesmos sentimentos e pensamentos, se mantivermos as mesmas crenças, elas crescem, desenvolvem-se e nos mantem no mesmo padrão anterior, ou seja, não mudamos, não crescemos, não evoluímos, pois continuamos fazendo a mesma coisa, e temos sempre o mesmo resultado.

Mas trazendo agora para o lado mais leve engraçado, vou fazer a descrição de algumas destas partes:

DOMINADOR X DOMINADO

Dominador diz assim: “você tem que”, fazer isso, organizar, você é cheio de dúvidas, você idealiza, e força a ser esse ideal. Exemplo: se eu quero que você goste de mim, que me ame, eu vou te agradar, eu vou observar, ver o que você gosta e vou tentar fazer igual a você.

Você tem que fazer, “senão” vai ficar sozinho, as pessoas não vão te aprovar.

O dominador localiza-se em nossa nuca, comprime, pesa, senta-se em nossos ombros, ao redor do nosso pescoço e chega até balançar as perninhas de tanto que fala na sua cabeça.

“Tem que fazer”, “tem que ser assim”, “tem que isso”, “tem que aquilo”, “senão”, cria uma ameaça, te oprime, te coloca pra baixo, ele ignora que você tem vontades e sentimentos e principalmente vontade própria, o dominador só quer que você faça do jeito dele, quando e onde ele quer!

Porém se há um Dominador existe também um Dominado.

Dominado existe porque você acredita nele, dá força, e aceita a autoridade dos pais ou dos professores por exemplo, e continua agindo como se fosse uma criança, pois naquele período era necessário aprender a obediência, mas hoje no período adulto, você se acostumou e age da seguinte forma: dando desculpas para não fazer, fica cansado, “não consigo”, “não dá”, “deixa para amanhã”. Ele tem uma força incrível sobre seu corpo físico, você fica com febre, doente só para não fazer o que o outro está mandando.

Quanto mais o dominador ordena mais o dominado resiste, os dois funcionam juntos, quando um ativa o outro se ativa também. “você tem que fazer isso” “Ah, mas estou tão cansado!” “Não gosto disso” “Coitado de mim”, Um empurra e o outro breca. Isso causa stress, cansaço, você fica moído, esquece as coisas, pois eles dominam a memória.

Um não tem a menor consideração por você e o outro te defende, só que fica na defesa e nega o direito de você ser você, não respeitam o seu querer, o seu sentir.

Como fazer para se livrar de tudo isso? Prestando atenção no que te anima, no que vem da alma, no seu sentir, no seu querer real! Preste atenção quando você mesmo disser: “tenho que”, “não consigo”, aí vai cair a ficha e saber que é uma parte no comando. Não brigue com ela, pois se brigar vai dar mais força. Não lute, apenas pensa “Há danadinha…querendo me comandar…dê risada, brinque e sinta o que você quer fazer e siga seu sentir! Mas tome cuidado para não cair no lado oposto, afinal se há o dominador, tem o dominado!

Na próxima semana vou continuar falando destas estruturas como elas agem em nós e o que fazer para elas se dissolverem

Quantos personagens você criou?

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: